quarta-feira, 16 de novembro de 2011

AFINIDADE - Arthur da Távola




Andei sumida cadim né mess???

Senti saudade de todos vcs, deste bloguinho que, apesar de simples, sempre me deu tanta alegria. Passei um período de introspecção, eu comigo mesma (rs), achei que tinha mudado, quebrado sei lá, alguma coisa aqui dentro e que nao me identifcava, sei lá pq, com este blog mais... complicadim né? Mas ainda bem que tudo passa e retomamos nossas vidas de onde paramos...

Deixo com vcs este texto do Arthur da Távola, que pela simples leitura me trouxe de volta parte do que, achei que tinha ido... mas ao lê-lo descobri que DEUS É MUITO MAIS LINDO QUE PENSEI, QUE SEM ELE NÃO SOU NADA, NADA... e que quem tem amigos fiéis e verdadeiros, realmente tem o maior e melhor tesouro do mundo.

Uma amiga das mais queridas me ofereceu este texto de presente hoje e ele me trouxe de volta  eu mesma...rs..., a vcs e a este bloguinho que curto muito e que me trouxe grandes momentos de alegrias e sonoras gargalhadas :o)

Por isto, dedico a todos vcs AMIGOS de perto e de longe, aqueles que conheço e aqueles que nunca vi, mas sinto-os como se irmãos fossem tamanha sintonia de alma... e aos novos frutos destes amigos que chegam ao mundo. A vcs casal querido ;o) desejo união, saúde, paz, amor divino, compreensão, entendimento para administrarem com sabedoria o cotidiano que vem aí pela frente, FORÇA NA PERUCA ;o)  apesar de nem ter tanto cabelo assim né messs? =D :P :* S2 E, se algum dia precisarem de algo, contem comigo, todos vcs. Estarei aqui apenas a um pensamento de distância pra todos vcs.

Bjo especial para o Padú, Nandinho e toda Galera deles, que me deram uma força que não esquecerei jamais ;o)

E em especial  também pra vc amigo querido e muito amado fraternalmente... Auf, auf ;o)  :P (duplamente...rssss)

* O texto é MA-RA-VI-LHO-SO leiam saboreando cada linha, cada frase e, tenho certeza, alguns se emocionarão ;o)


AFINIDADE
Arthur da Távola


A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
O mais independente.


Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.


É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.


Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.


Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.


Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.


Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.


Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.


Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.


A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos,
veremos ou falaremos.


Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?


A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.


Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.


Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.


Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.


Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.




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